quarta-feira, 22 de junho de 2011

Manhã do Segundo Dia

A Barata
Logo pela manhã escutei um bater de asas, tenho certeza que são dela. Mas não consigo achar. Ontem ao entrar no quarto com a lampada queimada tenho certeza que ela correu por baixo de minhas pernas, mas no escuro não pude ter certeza, e hoje veio a prova. Escutei ela acertando suas asas.
Mas na hora me lembrei da "Barata Emocional" do livro "Revolucione sua Qualidade de Vida - Navegando nas águas da emoção" de Augusto Cury. Pode parecer piada, mas esse foi realmente o meu despertador natural.
No livro, "... a "barata" pode simbolizar os problemas, as dificuldades, e as situações novas que enfrentamos: um novo emprego, uma nova tecnologia, uma crise conjugal, uma crise financeira, uma rejeição, um desafio profissional (...). Não importa o tamanho real do problema, mas como eu o interpreto, o sinto, o supero. Pequenos problemas mal administrados podem travar nossa inteligência, destruir os melhores anos de nossas vidas (...)."
No meu caso, apesar da barata ser um inseto real, ela era símbolo de uma mudança necessária em minha vida, e de um conflito totalmente novo. A necessidade de me organizar melhor.
Enquanto A. Cury fala da barata psicológica, tenho de resolver o problema da barata real e da psicológica no meu quarto e em minha vida. Pois com a obesidade, veio a desmotivação, a autocobrança, e muita depressão. Sinceramente meu quarto está uma zona de guerra, pois nunca tenho forças pra terminar de arrumá-lo. Eu começo e quando percebo minha mente se dispersa pra outro canto, outro mundo e me sinto outra pessoa, em outra realidade, com outra finalidade. E ao final do dia percebo que perdi quase o dia todo começando inúmeras coisas e não terminando nenhuma delas.

As roupas que começo a lavar ficam na lavadora, as que secam no sol ficam no varal por dias porque as vezes nem me lembro delas. Passar roupa é algo que não faço há meses, somente quando uso. E as coisas vão se acumulando no meu quarto mostrando o caos do meu mundo interno.
O problema não é uma barata, mas sim, mudar meu estilo de vida de forma a "Nunca Mais Desistir" de fazer as coisas, desde as coisas mais simples as mais complexas.
Após meu café da manhã reforçado, vamos começar a por ordem nas coisas então. Algumas coisas vão pro lixo, outras serão organizadas, algumas doadas.

AutoSabotagem
Todo esse processo de desistir das coisas mais simples as mais complexas, vêm de um profundo processo de auto sabotagem. Quanto tempo permaneci fora de mim por longos anos na infância e na adolescência, e quando finalmente pensei ter eliminado tudo isso de minha vida, descobri que apenas tinha criado um novo modo de repetir padrões antigos.
Sofri muito bullyng na infância, e por motivos de saúde tinha um barrigão, mesmo sendo o garoto mais ativo da turma. Ficava muito preso em casa, e tinha pouco tempo pra me relacionar com outras crianças, meu mundo girava praticamente ao redor de blocos de madeira de montar, gibis, música, igreja, e idosos desde muito cedo. E isso fez com que tivesse uma enorme dificuldade de me socializar com as outras crianças, sempre aprendi a me envolver com aquele grupo que ficava à parte nas brincadeiras. O menino muito negro, a menina de cabelo estranho, a nova da turma, a chorona, e a que ninguém entendia. Na época o preconceito era bem maior por qualquer motivo, e tudo era motivo de bullyng desde o jardim de infância, por incentivo de comentários de adultos, acredito hoje. A verdade é que os problemas se iniciaram no jardim de infância e persistiram no Ensino Fundamental e no Médio, mas foi na sétima série que eu disse um grande BASTA !
Já havia encontrado uma ótima forma de me socializar, usando um pouco de ironia e humor que hoje são parte de minha personalidade um pouco ácida, comecei a participar de todas as atividades que exigiam exposição ao público desde chapas de grêmio estudantil, participação de aulas expositivas e feiras de ciências, danças, ser goleiro no time de futebol nas aulas de educação física (já que detesto futebol), e comecei a fazer teatro e dança algum tempo depois. Passei daquele menino que se escondia atrás de tudo e de todos para aquele que era responsável pelo próprio destino. Mas foi no primeiro ano da Faculdade de Enfermagem que aprendi que poderia ser mais, e foi nesse ano que resolvi largar tudo e enfrentar o mundo de vez, procurando novas oportunidades e uma vida totalmente nova e cheia de novos rumos.
Em Piracicaba, contei com cerca de quatro anos maravilhosos, em que me reinventei. Mas, quando os problemas começam a surgir e são pesados demais para se suportar, é que começamos a buscar referências no passado, e causar uma confusão ENORME no nosso PRESENTE. E foi exatamente aí que a coisa começou a dar sinais de que ia piorar. Comecei a fazer ACORDOS comigo mesmo, a fim de me auto manipular e não passar pelas decepções que estava passando, e cada acordo firmado comigo mesmo (de modo inconsciente), está funcionando até agora, e me auto sabotando nos meus "novos" objetivos. Acostumado com as decepções, e com medo de me decepcionar, prefiro ficar onde estou, para não correr riscos, e mudo meus focos rapidamente para evitar fracassos. Lembram o que escrevi ontem, após sair da loja de roupas ? É exatamente isso multiplicado por quatro que estou fazendo com minha vida. Tenho diferentes modos de me auto sabotar, e estou descobrindo cada um deles. PERDER O FOCO não é mais uma ALTERNATIVA.

Chegou a hora de se desprender do passado e abrir espaço para o "novo", como diz o ditado japonês: "Para você beber vinho em uma taça, precisa antes jogar fora o chá".


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